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24 มีนาคม

Tentando trabalho na MS Corp - a entrevista FINAL

Neste post, André relata a sua odisséia na tentativa de trabalhar na Microsoft Corporation.
 
Abraços,
-Diogo Burgos, coordenador do projeto de tradução do FurtaSpaceBR

Semana passada, tive a oportunidade de passar por algumas das experiências mais interessantes da minha vida: “sofrer” uma bateria de entrevistas totalizando quase 5 horas, com profissionais da maior empresa de software do mundo, e também aproveitar a oportunidade para conhecer uma das cidades mais bonitas do mundo, sem dúvida: o Rio de Janeiro. Nas próximas seções vocês saberão como foi a experiência e o que aconteceu por lá.

A Preparação

Depois que soube da minha aprovação para a etapa final (entrevista presencial no Rio), tentei aumentar minhas chances na entrevista. Li dois livros: Programming Interviews Exposed e o popular How Would You Move Mount Fuji?. Achei o primeiro muito mais proveitoso do que o segundo, do qual considero que apenas as puzzles são realmente úteis nas quase 300 páginas de leitura. Além disso, tentei pegar algumas dicas em sites focados em discutir sobre entrevistas MS, como os abaixo:

- http://wiki.mattgoyer.com/Wiki.jsp?page=InterviewSites
- http://blog.mattgoyer.com/technical-interview-at-amazon-sde-and-microsoft-program-manager
- http://www.sellsbrothers.com/fun/msiview/
- http://www.gladwell.com/2000/2000_05_29_a_interview.htm
- http://www.hanselman.com/blog/WhatGreatNETDevelopersOughtToKnowMoreNETInterviewQuestions.aspx
- http://channel9.msdn.com/ShowPost.aspx?PostID=18472

Por fim, elaborei um documento com perguntas e respostas clássicas de RH (“Por que trabalhar na MS?” ou “Me diga um projeto no qual você foi bem-sucedido”, etc.). Ensaiei as respostas para garantir que iria desenrolar mais tranqüilo na hora em que isso fosse perguntado.

A Chegada no Rio

Cheguei no Rio às 9 da manha da segunda, pegando um táxi direto para o hotel (todos os custos pagos pela Microsoft, eles realmente se mostraram muito profissionais nisso!). Na noite anterior não havia dormido direito, talvez pela ansiedade, portanto estava bastante cansado. Mas preferi apenas dar um cochilo de 2h e guardar o resto do sono para de noite, pois eu precisaria de muito cansaço para combater o eventual nervosismo de ter a entrevista na manhã seguinte.

Após almoçar, fui dar uma volta para conhecer a cidade, caminhando pela Lagoa Rodrigo de Freitas, Leblon, Ipanema e Pedra do Arpoador (definitivamente um por-do-sol que não se deve morrer sem ver!). Em seguida, me encontrei com o amigo Luciano Reis, da comunidade .NET do RJ. O cara devia ter se formado em turismo, simplesmente foi fantástico o passeio no qual ele me levou, para conhecer a cidade... por alguns momentos até cheguei a esquecer que teria a entrevista no outro dia, dada a beleza do Rio de Janeiro e a hospitalidade do Luciano. Abaixo, foto nossa entrando no bondinho do Pão de Açúcar (sim, ele funciona à noite, também não sabia!).

Às 23:30, já estava de volta ao hotel. Hora de ensaiar as perguntas finais, dar uma aquecida no inglês, e descansar. Estava exausto e agradeci e mim mesmo por não ter dormido muito de tarde...

Começa o grande dia

Acordei na terça às 6:30, fiz check-out e tomei um café leve. Peguei um táxi e fui para o outro hotel, em que as entrevistas iriam acontecer. Chegando lá, encontrei os outros três candidatos: um de São Paulo, um de Manaus e um da Argentina, que para minha surpresa também era Estudante Embaixador e disse me reconhecer, por causa da Imagine Cup!

A recrutadora-chefe então aparece e nos conduz para o “quarto dos entrevistados”: um quarto de hotel onde, no lugar das camas, existia uma mesa com livros sobre os EUA, brinquedinhos para a gente se distrair, etc. Abaixo, segue uma foto (infelizmente a única!) que registrei desse quarto, tirada mais ao final das entrevistas. A brincadeira com o Bill, abaixo, é para preservar o anonimato de meu colega de entrevista (afinal, talvez nem todo mundo possa ou goste de estar sendo exposto em blogs por aí!).

A recrutadora-chefe explicou que nessa sala ficaríamos no intervalo de cada entrevista, e que estávamos proibidos de falar entre si sobre as perguntas e também de falar em outra língua que não fosse o inglês. Achei isso muito bom, pois serviu mais uma vez para dar aquela aquecida no inglês com outros candidatos antes da brincadeira começar. Ela ainda disse que faríamos de 3 a 5 entrevistas (reza a lenda que, quanto mais entrevistas você fizer, melhor está sendo seu desempenho, mas ela fez questão de dizer que o número de entrevistas não teria nada a ver com uma aprovação/rejeição).

A primeira entrevista

Por volta das 8:05, os entrevistadores entraram no quarto e foram chamando os entrevistados. Cada par entrevistador-entrevistado ia para um quarto em separado, no qual havia uma mesa com uma caneta e um bloco de papel.

Infelizmente não me lembro o nome de meus entrevistados. O primeiro foi um americano com cara de indiano. No caminho para o quarto, ele perguntou como eu estava e eu brinquei dizendo que com um dia daqueles (sol de rachar) não haveria como não se estar bem. E então nos sentamos e a sabatina começou, cujo resumo segue abaixo:

- Primeiro ele elogiou meu inglês e perguntou onde eu havia aprendido/praticado.
- Ele questionou se eu estava empregado ou procurando por emprego (respondi que ambos, e falei sobre o Centro de Inovação Tecnológica em Recife, oCIT, o ex-CTXML).
- Ele fez várias perguntas sobre o CIT: o que é, “quem paga a conta”, etc.
- Ele me pediu para fazer um resumo sobre mim mesmo. Falei do meu trabalho atual como engenheiro de software no CIT e como Estudante Embaixador. Citei alguns outros títulos/certificações, falei da Imagine Cup e disse que estava interessado em uma experiência internacional como o próximo passo de minha carreira profissional.
- Ele confirmou minha conclusão do Mestrado em abril e pediu para falar sobre minha dissertação.
- Depois a pergunta clássica: por que eu queria trabalhar na Microsoft?
- Ele disse que eu aparentava já lidar com tecnologias Microsoft há um certo tempo, então perguntou por que eu não havia aplicado antes ao processo de recrutamento.
- Ele pediu um cenário em que “minha criatividade fez a diferença”. Citei um projeto do CIT, no qual ajudei a mapear regras de negócio de um banco em uma máquina de estados implementada com web services, que acessavam programaticamente um servidor SharePoint... Acho que ele não se convenceu muito da criatividade da coisa, talvez eu devesse ter falado dos projetos da Imagine Cup...
- Pegando o gancho na minha resposta anterior, tivemos então uma discussão sobre as diferenças de acessar o SharePoint programaticamente via dll do SDK ou via seus web services.
- Ele perguntou um momento em que eu tive dificuldades com um problema.
- Ele me perguntou como eu tomava minhas decisões.
- Ele me pediu para citar uma situação em que alguém me convenceu a mudar de idéia. Falei sobre a integração da nossa equipe com a equipe da Inglaterra no workshop Accelerator, em janeiro, que eu desconfiava no começo mas que fui convencido de que seria (e foi) uma boa idéia.
- Ele perguntou para qual posição eu estava aplicando.
- Ele perguntou se eu tinha visto as diferenças entre SDE (software design engineer) e SDET (software design engineer in test) e me pediu para explicar.
- Ele me perguntou como eu havia me preparado para a entrevista.
- Ele me passou um problema “brainteaser” clássico: achar o menor tempo para que 4 pessoas com velocidades diferentes, que estão de um lado de uma ponte, passem para o outro lado, duas por vez, com uma lanterna... Eu disse já conhecer o problema, e ele me disse para resolver mesmo assim. Não me limitei a dar apenas a resposta, explicando também a linha de raciocínio.
- Ele perguntou se eu conhecia a função atoi (conversão de string para inteiro). Eu disse que sim. Ele então me pediu para fazer o pseudo-código do atof (string para float) e saiu do quarto. Quando ele voltou, mostrei para ele minha resposta, e posso dizer que ele ficou satisfeito com ela (eu reusei o atoi para implementar o atof, evitando reinventar a roda...). Ele me deu os parabéns e disse que eu podia voltar para o quarto dos entrevistados.

2a Entrevista

No quarto, todos os entrevistados seguiam as instruções de evitar conversar sobre o que foi perguntando. Discutíamos assuntos quaisquer como a ironia de um hotel tão bonito ser cercado por uma favela imensa, e coisas do tipo.

Então sou chamado por um coreano, que mais tarde se revelou como um Development Manager, para a segunda entrevista. Ao entrar no quarto, ele foi curto e grosso: “Minha entrevista é pedir para você fazer código!”. Então ele explicou o problema que queria que eu resolvesse: implementar uma classe para armazenar números inteiros de tamanhos infinitos. Tive então uma longa discussão sobre o formato interno de representação da classe. Quando cheguei numa interface que ele achou satisfatória, ele pediu para eu implementar um método de adição de dois desses “inteiros infinitos”. Implementei no papel e mostrei minha resposta. Acho que ele deve ter gostado, pois no final ele perguntou se eu já havia resolvido aquele problema antes. De todo modo, esse foi o problema que mais me assustou.

Como ainda tínhamos 3 minutos, ele disse que eu poderia perguntar o que quisesse a ele. Perguntei sobre a utilização de processos e metodologias de desenvolvimento nas equipes gerenciadas por ele. Ele disse que cada equipe era livre para escolher o seu próprio processo. Perguntei se eles usavam o Team System internamente, e ele disse que sim. Por fim, perguntei sobre vantagens e desvantagens de se trabalhar em uma empresa grande versus trabalhar numa startup.

3a Entrevista

A terceira entrevista foi com um alemão. Ele me passou três problemas:
- Implementar uma busca em um array ordenado. Esse problema aparentemente fácil se mostrou um pouco chato de se implementar, devido a checagem e atualizações das fronteiras do array.
- Definir casos de teste para o problema anterior.
- Discutir como eu implementaria um gerenciador de heap (funções malloc e free), focando a discussão nas estruturas de dados que eu utilizaria, abordagens de implementação e trade-off entre elas.

Não consegui extrair nenhuma impressão das reações desse entrevistador, mas a discussão técnica creio que foi interessante.

4a entrevista

De volta para a sala, um pouco de tensão: a partir daquele momento você poderia já ser liberado ou poderia ser chamado para mais entrevistas. Fiquei feliz quando o entrevistador indiano me chamou para minha quarta entrevista!

Lendo o depoimento de um amigo de Recife que foi contratado pela MS recentemente, ele disse que precisou fazer código em apenas uma única entrevista. Como eu já havia sido solicitado para codificar em outras três entrevistas, esperava agora que teria algo mais teórico e light, ou então mais focado nas perguntas clássicas de RH. Mas nada disso! O indiano era um Test Manager e já começou passando um problema: encontrar o primeiro caractere repetido de uma string, com restrições de espaço e performance. Fui resolvendo problema, sendo auxiliado por ele aqui e ali, e por fim cheguei na resposta que (acho que) ele esperava.

Em seguida tive o pior momento de todas as entrevistas: ele me pediu para fazer casos de teste para o problema acima. Dei exemplos com várias variações de input, mas ele parecia nunca estar satisfeito. De fato, minha criatividade não foi suficiente para citar todos os casos de teste que ele estava esperando, que contemplavam variação no case (caixa-alta ou baixa) dos caracteres, caracteres especiais, testes de performance, testes de espaço ocupado pelo algoritmo, testes de concorrência, etc. Saí dessa entrevista com a certeza de que, para ser um SDET, você realmente precisa de criatividade!

5a entrevista

De volta à nossa sala, não havia mais nenhum outro entrevistado. Imaginei que talvez alguns já devessem ter sido liberados. Na verdade, ainda me encontrei com mais um entrevistado, que me disse ter sido liberado após a quarta entrevista. Fiquei então aguardando até que a mesma recrutadora-chefe do começo apareceu dizendo que minha última entrevista seria com ela. Essa entrevista foi focada em perguntas e discussões mais na linha de RH, com o resumo abaixo:
- Por que Microsoft?
- O que você quer ser (SDET/SDE/PM)?
- Qual a sua linguagem de programação de preferência?
- Ela me pediu feedback do processo de recrutamento até então. Eu disse que estava satisfeito, mas que reconhecia que algumas das perguntas “vazavam” para a Internet (aliás não é isso o que eu estou fazendo nesse post? :) ), e que isso poderia prejudicar o processo. Ela disse que eram muitos os entrevistados por ano e que não haveria condições de haver a criação de milhares de perguntas/questões todos os meses. Além disso, ela apontou corretamente que o que interessava não eram as respostas, e sim o modo como o entrevistado chegava a elas. “Os meios justificam os fins”, concluí...
- Em seguida, ela passou dois problemas que eu já conhecia: o primeiro é um no qual você é apresentado a um jarro com X bolas azuis, Y verdes, W brancas e Z amarelas e precisa saber quantas bolas você precisa tirar, sem olhá-las, para garantir que irá pegar pelo menos duas da mesma cor. Eu disse que já sabia a resposta e ela me pediu para resolver mesmo assim.
- O outro problema foi um brainteaser clássico: 10 jarros estão cheios de pílulas, todas pesando 10 gramas à exceção das pílulas de um certo jarro, que pesavam 9 gramas. O problema consistia em achar esse jarro com apenas uma única pesagem. Mais uma vez, disse que já conhecia o problema. Ela então seguiu adiante e desistiu de propor mais probleminhas do tipo.
- Um dos momentos áureos da entrevista veio a seguir: ela perguntou se eu havia participado já Imagine Cup no ano passado. Respondi que sim e citei que havia sido campeão mundial, o que a surpreendeu. Ela perguntou se eu havia dito isso também aos demais entrevistadores.
- Em seguida, ela perguntou 3 sugestões que eu daria para melhorar o outlook.
- Depois perguntou como eu enxergava o modo como a Microsoft era percebida nas universidades. Eu disse que era meio suspeito para falar, pois era um Student Ambassador, mas disse que a visão anti-Microsoft ainda é muito grande, e que Recife em especial era um pólo Java muito forte. Ela então fez um verdadeiro discurso sobre como era errada essa visão anti-Microsoft, citando o caso recente da transferência bilionária para a fundação de Bill e Melinda Gates e como isso iria ajudar as pessoas.
- Por fim, ela agradeceu pelo meu tempo e disse que estaria entrando em contato em 1 ou 2 semanas.

Conclusão

E assim termina o meu relato. A experiência foi única e ficará registrada para o resto da minha vida, independente do resultado. Após as entrevistas, fui direto me encontrar com o Luciano Reis, que me levou para conhecer o Cristo Redentor! Fica aqui o registro de profundo agradecimento ao Luciano por todo o apoio prestado no RJ!

Esse post, portanto, termina com a foto clássica à frente do The Redeemer. Aguardem os resultados...

[]s
-- AFurtado

Este artigo foi transcrito do antigo blog de André no TheSpoke por Diogo Burgos.

Diogo é Graduando em Engenharia da Computação pela Universidade de Pernambuco (UPE), Microsoft Student Partner e Microsoft Certified Technology Specialist.

Os relatos e opiniões deste post apresentam pontos de vista pessoais,
não refletindo necessariamente a opinião da Microsoft Corporation.

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